Banco de Itens

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1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário
X. PA-2007-1P-2-5-6
Disciplina Língua Portuguesa (2º Ciclo)
Autor Provas de Aferição de Língua Portuguesa (GAVE)
Capacidades Leitura

Lê o texto com muita atenção.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

5

 

 

 

 

10

 

 

 

 

15

 

 

 

 

20

 

 

 

 

25

 

 

 

 

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A CAIXINHA DE MÚSICA

 

Catarina não gostava da cara que tinha. Achava-se feia, com o seu nariz arrebitado,

a boca grande e os olhos muito pequeninos.

Na escola, as crianças não queriam brincar com ela. Preferiam outras companhias.

Corriam pelo pátio, muito alegres, fazendo jogos em que Catarina nunca conseguia

entrar.

Quando a campainha tocava, no fim das aulas, pegava na pasta de cabedal

castanho, punha-a às costas e ia sem pressa para casa, colada às paredes, com medo

das sombras, dos gracejos dos rapazes mais crescidos. Com medo de tudo que

pudesse tornar ainda mais triste a sua vida.

«Tens mesmo cara de bolacha.» - dissera-lhe, dias antes, uma rapariga da sua

turma.

Ficou muito magoada com aquelas palavras que lhe acertaram em cheio, como uma

pedrada, em pleno coração.

E lá andava ela com os seus olhos pequeninos e tristes, com os pés para o lado, a

ver se descobria alguém que conseguisse gostar dela, nem que fosse só um bocadinho.

No caminho para casa encontrava todos os dias o homem do realejo1.

Era muito velho e estava sempre a sorrir. Trazia, poisado no ombro, um grande

papagaio de muitas cores que passava o tempo todo a dormitar.

Quase ninguém reparava no velho que tocava cantigas muito antigas, à esquina de

duas ruas sem sol. Era um homem solitário2.

Quando fez anos, Catarina levou-lhe uma fatia de bolo de aniversário, com cerejas

cristalizadas e algumas velas em cima. O velho ficou muito comovido, guardou o bolo

dentro de um saco branco e foi-se embora, para ela não ver a sua cara enrugada cheia

de lágrimas.

Um dia, quando saiu da escola, foi procurar o seu amigo. Deixou que ele lhe

agarrasse na mão e ouviu-o dizer numa voz muito sumida:

«Vim hoje aqui com muito sacrifício só para te dizer adeus. Vou partir para muito

longe, mas gostava de te deixar uma recordação minha». Meteu a mão no bolso do

sobretudo e tirou uma pequena caixa de música.

«Esta caixinha é muito, muito velha. Nem se sabe ao certo a sua idade. Sempre que

a abrires e tiveres um desejo ele há-de realizar-se imediatamente».

Catarina ficou muito contente a olhar para a caixa e quando quis agradecer ao amigo

já não o encontrou.

Catarina levou para casa a caixinha de música e escondeu-a com muito cuidado

para ninguém a descobrir. O desejo não demorou a surgir: queria deixar de ser feia.

Pôs-se à frente do espelho, abriu a caixa e pensou no seu desejo com quanta força

tinha. Da caixinha saía uma música muito bonita. Catarina olhou para o espelho cheia

de receio de que o sonho não se tivesse tornado realidade. Mas não. Ninguém iria

acreditar quando a visse com a sua nova cara, o ar alegre e bem disposto.

A sua vida modificou-se completamente. Passou a ter amigos. Já ninguém falava da

sua cara, da sua maneira esquisita de andar.

Um dia perdeu a caixinha de música. Ao fim de uns dias, a magia começou a

desaparecer lentamente. A boca alargou, os olhos voltaram a ficar muito pequenos.

Sentiu de novo uma grande tristeza e apeteceu-lhe fugir para muito longe ou nunca

mais sair de casa.

Ao fim de algum tempo, acabou por se decidir: começou a sair à rua, a ir à escola.

E, com grande surpresa sua, os companheiros de escola, os amigos falavam-lhe

como se nada tivesse acontecido, como se a sua cara não tivesse voltado ao que era

dantes.

A tristeza desapareceu e Catarina percebeu que o importante não é a cara que as

pessoas têm mas a forma como são na vida, no mundo, como sabem ser solidárias3

com os outros.

 

José Jorge Letria, Histórias quase Fantásticas,

Cacém, Edições Ró, 1981 (adaptado)

 


 

 

 

1 realejo - instrumento musical mecânico movido a manivela, como o que se pode observar na figura ao lado.

2 solitário, -a, adj. 1 - que está sem companhia, só; 2 - que vive na solidão, que se afasta da convivência com os outros.

3 solidário, -a, adj. 1 - que é capaz de estabelecer com alguém relações de ajuda mútua, de entreajuda; 2 - que revela disponibilidade para apoiar, defender ou consolar alguém em circunstâncias de necessidade.

 

 

 

 

  

X.1

Catarina é a personagem principal desta história.

Completa o quadro seguinte, indicando as características de Catarina, antes da sua primeira transformação.

 

Catarina

Características

físicas

  • boca ___________________

 

  • olhos __________________

 

  • nariz ___________________

 

  • pés_____________________

    Características    

psicológicas

 

  • ________________________

 

  • ________________________

X.2

Assinala com X as afirmações verdadeiras (V) e as falsas (F), de acordo com o sentido do texto.

 

Afirmações    V        F  

Na escola, ao princípio, ninguém ligava à Catarina.

   

Os seus colegas andavam sempre tristes.

   

O tocador de realejo era velho e sorridente.

   

O velho do realejo tornou-se amigo de Catarina.

   

Catarina foi simpática com ele.

   

Havia sempre muita gente à volta do tocador.

   

O tocador de realejo tinha um pombo.

   

 

X.3

Onde é que Catarina costumava encontrar o velho tocador de realejo?