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Autor Provas de Aferição de Língua Portuguesa (GAVE)
Capacidades Leitura
Lê o texto com muita atenção.
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A VISITA À MADRINHA
Agora, agora mesmo quase à beirinha do sono da noite, dou comigo a colocar uma cassete especial no vídeo da minha vida e a preparar-me para assistir a certas coisas que me aconteceram por volta dos meus 5 anos de idade! (...) Um dia, por alturas da Páscoa desse ano, a nossa mãe olhou para mim e para as minhas duas irmãs, mais novas do que eu e, apontando apenas para mim, anunciou em voz solene: «Amanhã vamos todos fazer uma visita à tua Madrinha!» (...) A minha Madrinha era nossa tia-avó. Pequenina e delicada, não parecia muito preparada para viver neste mundo. Digo isto porque andava muito devagarinho, como se tivesse medo de pisar o chão e de ele se queixar. E passava por entre os móveis e as cadeiras, e de porta em porta, com muita cerimónia, assim como que a pedir licença para passar. E o seu cabelo era só caracolinhos muito brancos à roda da cabeça. A Madrinha morava no Porto, junto da Rua Sá da Bandeira, numa moradia muito bonita. Quando no dia seguinte lá chegámos, a mãe e o pai, e nós três muito bem arranjadas, de luvas e chapéu, com os ouvidos cheios de «Não façam isto, não façam aquilo»... «Portem-se bem»... «Não batam os pés»... «Não mexam em nada»..., já sabíamos que a Madrinha estava à nossa espera, pois esta visita anual era sempre anunciada com a devida antecedência. Tocámos à campainha, alguém veio abrir a porta e pegar nos nossos casacos e chapéus e luvas, que não vi onde penduraram. À nossa frente, num vasto chão imaculadamente branco, uma passadeira de veludo vermelho parecia não ter fim. Lá muito ao fundo, numa sala cheia de quadros e de esculturas, e de muitos, muitos livros, estavam a Madrinha e o Padrinho, de braços abertos. O Padrinho, o nosso tio-avô Alberto Villares, «era um sábio» - dizia sempre o meu pai, «e que até era um cientista ilustre, tinha um Observatório de Astronomia no telhado da casa, onde estudava os mistérios do céu, e que do Observatório de Paris estavam sempre a pedir a opinião dele»..., e por tudo isto, embora ele fosse sempre muito delicado e muito simpático para nós, eu tinha imenso medo de dizer os meus costumados disparates ao pé dele. Ora, neste dia, ele quis saber se eu já sabia ler, e eu, sem querer, disse que sim, mas a verdade é que ainda não sabia. Então, ele foi buscar um livrinho com desenhos. Em cada página havia um lindo e colorido desenho muito grande, que tinha por baixo, escrita, o que eu já percebia que era uma palavra. E foi assim: numa página vi uma grande maçã e... apontando com um dedo a palavra que estava debaixo, fingi que, a muito custo, lia a palavra MAÇÃ. Na página a seguir, vi um pato e fingi que lia, a custo, a palavra que estava por baixo: PATO. Como a vida me estava a correr bem, fiquei mais calma. Até que apareceu uma página com um desenho que era mesmo mesmo uma grande mão. Sem hesitar nem um bocadinho, apontei para a palavra em baixo e, muito lampeira, quase gritei: MÃO! Foi uma risota. Os meus pais e os padrinhos riam com gosto, e eu sem perceber porquê! Até que a minha mãe, devagarinho e docemente, me disse: - «Não, filha, o que aqui está escrito não é MÃO. O que está escrito é LUVA». Fiquei tão envergonhada que nunca mais me esqueci daquele momento. A seguir, já nem o lanche me soube a nada, nem o bolo de chocolate, nem os docinhos, nem as torradinhas com manteiga, nem os rebuçados de tantas cores. E foi nesse momento que resolvi que tinha de aprender a ler de verdade. Mesmo que ninguém tivesse paciência para me ensinar, havia de aprender a ler sozinha! E assim foi. Sozinha e às escondidas, aprendi a ler à minha moda, pouco tempo depois, já nos campos de um Ribatejo com extremas para o Alentejo, em terras da minha mãe, onde passámos a viver. Só aos 9 anos fui pela primeira vez para um Colégio, em Lisboa. E nessa altura já eu era tu cá-tu lá com todas as historinhas que apanhava à mão e com toda a experiência boa que uma Natureza campestre e sábia tinha posto à minha disposição.
Maria Alberta Menéres, Contos da Cidade das Pontes, Porto, Editorial Âmbar, 2001 |
Apesar dos esforços da menina, rapidamente os pais e os padrinhos perceberam que ela estava a fingir.
Explica como foi que eles perceberam.
Enquanto esteve em casa dos padrinhos, a menina foi tomando várias atitudes e experimentando diferentes emoções e sentimentos.
Associa cada um dos momentos da história (tabela A) às atitudes, emoções e sentimentos que, na tua opinião, lhe correspondem.
Para resolveres a questão, escreve 1, 2, 3 e 4 nas hipóteses correspondentes da tabela B.
| A | |
| 1 |
«... eu tinha imenso medo de dizer os meus costumados disparates...» (linha 26) |
| 2 |
«Sem hesitar nem um bocadinho (...) quase gritei...» (linhas 36 e 37) |
| 3 |
«Os meus pais e os padrinhos riam com gosto, e eu sem perceber porquê!» (linhas 38 e 39) |
| 4 |
«... nunca mais me esqueci daquele momento. A seguir, já nem o lanche me soube a nada...» (linha 41) |
| B | |
| Nervosismo e irritação | |
| Humilhação e vergonha | |
| Arrogância e vaidade | |
| Entusiamo e confiança | |
| Surpresa e incompreensão | |
| Calma e indiferença | |
| Insegurança e receio | |





