Banco de Itens

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1º Ciclo do Ensino Básico 2º Ciclo do Ensino Básico 3º Ciclo do Ensino Básico Ensino Secundário
X. PA-2006-1P-8-9
Disciplina Língua Portuguesa (2º Ciclo)
Autor Provas de Aferição de Língua Portuguesa (GAVE)
Capacidades Leitura

Lê o texto com muita atenção.

  

 

1

 

 

 

5

 

 

 

 

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50

 

A VISITA À MADRINHA

 

Agora, agora mesmo quase à beirinha do sono da noite, dou comigo a colocar uma

cassete especial no vídeo da minha vida e a preparar-me para assistir a certas coisas

que me aconteceram por volta dos meus 5 anos de idade!

(...) Um dia, por alturas da Páscoa desse ano, a nossa mãe olhou para mim e para

as minhas duas irmãs, mais novas do que eu e, apontando apenas para mim, anunciou

em voz solene: «Amanhã vamos todos fazer uma visita à tua Madrinha!»

(...) A minha Madrinha era nossa tia-avó. Pequenina e delicada, não parecia muito

preparada para viver neste mundo. Digo isto porque andava muito devagarinho, como

se tivesse medo de pisar o chão e de ele se queixar. E passava por entre os móveis e

as cadeiras, e de porta em porta, com muita cerimónia, assim como que a pedir licença

para passar. E o seu cabelo era só caracolinhos muito brancos à roda da cabeça. A

Madrinha morava no Porto, junto da Rua Sá da Bandeira, numa moradia muito bonita.

Quando no dia seguinte lá chegámos, a mãe e o pai, e nós três muito bem arranjadas,

de luvas e chapéu, com os ouvidos cheios de «Não façam isto, não façam aquilo»...

«Portem-se bem»... «Não batam os pés»... «Não mexam em nada»..., já sabíamos que

a Madrinha estava à nossa espera, pois esta visita anual era sempre anunciada com a

devida antecedência. Tocámos à campainha, alguém veio abrir a porta e pegar nos

nossos casacos e chapéus e luvas, que não vi onde penduraram. À nossa frente, num

vasto chão imaculadamente branco, uma passadeira de veludo vermelho parecia não

ter fim. Lá muito ao fundo, numa sala cheia de quadros e de esculturas, e de muitos,

muitos livros, estavam a Madrinha e o Padrinho, de braços abertos. O Padrinho, o

nosso tio-avô Alberto Villares, «era um sábio» - dizia sempre o meu pai, «e que até era

um cientista ilustre, tinha um Observatório de Astronomia no telhado da casa, onde

estudava os mistérios do céu, e que do Observatório de Paris estavam sempre a pedir

a opinião dele»..., e por tudo isto, embora ele fosse sempre muito delicado e muito

simpático para nós, eu tinha imenso medo de dizer os meus costumados disparates ao

pé dele.

Ora, neste dia, ele quis saber se eu já sabia ler, e eu, sem querer, disse que sim,

mas a verdade é que ainda não sabia. Então, ele foi buscar um livrinho com desenhos.

Em cada página havia um lindo e colorido desenho muito grande, que tinha por baixo,

escrita, o que eu já percebia que era uma palavra. E foi assim: numa página vi uma

grande maçã e... apontando com um dedo a palavra que estava debaixo, fingi que, a

muito custo, lia a palavra MAÇÃ. Na página a seguir, vi um pato e fingi que lia, a custo,

a palavra que estava por baixo: PATO.

Como a vida me estava a correr bem, fiquei mais calma. Até que apareceu uma

página com um desenho que era mesmo mesmo uma grande mão. Sem hesitar nem

um bocadinho, apontei para a palavra em baixo e, muito lampeira, quase gritei: MÃO!

Foi uma risota. Os meus pais e os padrinhos riam com gosto, e eu sem perceber

porquê! Até que a minha mãe, devagarinho e docemente, me disse: - «Não, filha, o que

aqui está escrito não é MÃO. O que está escrito é LUVA». Fiquei tão envergonhada que

nunca mais me esqueci daquele momento. A seguir, já nem o lanche me soube a nada,

nem o bolo de chocolate, nem os docinhos, nem as torradinhas com manteiga, nem os

rebuçados de tantas cores. E foi nesse momento que resolvi que tinha de aprender a

ler de verdade. Mesmo que ninguém tivesse paciência para me ensinar, havia de

aprender a ler sozinha! E assim foi. Sozinha e às escondidas, aprendi a ler à minha

moda, pouco tempo depois, já nos campos de um Ribatejo com extremas para o

Alentejo, em terras da minha mãe, onde passámos a viver. Só aos 9 anos fui pela

primeira vez para um Colégio, em Lisboa. E nessa altura já eu era tu cá-tu lá com todas

as historinhas que apanhava à mão e com toda a experiência boa que uma Natureza

campestre e sábia tinha posto à minha disposição.

 

Maria Alberta Menéres, Contos da Cidade das Pontes, Porto, Editorial Âmbar, 2001

 

X.1

Apesar dos esforços da menina, rapidamente os pais e os padrinhos perceberam que ela estava a fingir.

Explica como foi que eles perceberam.

X.2

Enquanto esteve em casa dos padrinhos, a menina foi tomando várias atitudes e experimentando diferentes emoções e sentimentos.

 

Associa cada um dos momentos da história (tabela A) às atitudes, emoções e sentimentos que, na tua opinião, lhe correspondem.

Para resolveres a questão, escreve 1, 2, 3 e 4 nas hipóteses correspondentes da tabela B.

 

A
  1  

«... eu tinha imenso medo de dizer os meus

costumados disparates...» (linha 26)

  2

«Sem hesitar nem um bocadinho (...) quase

gritei...» (linhas 36 e 37)

  3

«Os meus pais e os padrinhos riam com

gosto, e eu sem perceber porquê!» (linhas 38       

e 39)

  4

«... nunca mais me esqueci daquele momento.

A seguir, já nem o lanche me soube a nada...»

(linha 41)

 

B
       Nervosismo e irritação
  Humilhação e vergonha
  Arrogância e vaidade
  Entusiamo e confiança
  Surpresa e incompreensão                             
  Calma e indiferença
  Insegurança e receio